Mesmo sendo a melhor colocada em ranking, curitiba ainda apresenta doenças de saneamento básico

Acesso aos serviços de limpeza é um direito do cidadão, segundo a Constituição Brasileira, de 1988. Mesmo sendo lei, em 2010, 51,4% da média da população não possuía coleta de esgoto

Por Cinthia Takei, Gabriela Stall, Luannah Leite e Manoela Tkatch

De acordo com o Instituto Trata Brasil, responsável pela realização de pesquisas relacionadas ao saneamento básico, Curitiba é a capital que apresenta melhores resultados sobre o assunto. Porém a cidade ainda apresenta doenças como leptospirose, hepatites virais, malária, dengue e esquistossomose. Somando mais de 600 casos apenas em 2015, de acordo com o site do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DataSus).
A Constituição Brasileira, de 1988, lista atividades que o saneamento básico engloba, são elas abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos, águas pluviais e proteção do meio ambiente. Em relação ao tratamento de esgoto, a capital paranaense ainda é a melhor no ranking brasileiro, realizado pelo Instituto Trata. De acordo com dados, apenas 48,6% da população brasileira tem acesso a tratamento de esgoto, a região norte é a que possui o menor índice de atendimento de esgoto tratado, apenas 14.36%.
As regionais de Curitiba variam 30% entre o menor e o maior valor em relação ao tratamento de esgoto, dados retirados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE) de 2010. A regional que menos tem esgoto tratamento de esgoto por residência é o CIC, que engloba os bairros Cidade Industrial de Curitiba, São Miguel, Augusta e Rivieira. O total é de 69,55%, porém há a distinção de habitantes em comparação às outras regionais de Curitiba. Esse valor representa a média da porcentagem entre os bairros da capital.
Se levado em consideração a quantidade de habitantes e a porcentagem de tratamento de esgoto, a regional Matriz é a que apresenta o melhor número. Em 2010, com 205.722 habitantes, 98,68% do esgoto recebia tratamento. Por ser realizado de dez em dez anos, esses números, retirados do IBGE de 2010, podem ter mudado.
A falta de tratamento de esgoto é um dos fatores que colocam a saúde das pessoas em risco. Em casos de contágio com água não tratada, o indivíduo pode contrair doenças transmitidas por fezes de animais, líquidos e alimentos contaminados, entre outros. Curitiba ainda é uma cidade com grande número de casos, por exemplo, apenas em 2015, foram registradas 139 ocorrências de pessoas com leptospirose.
Porém, de acordo com a responsável pelo setor de Ciências Biológicas – Departamento de Patologia Básica, da Universidade Federal do Paraná, Dra. Débora do Rocio Klisiowicz, esses dados nem sempre podem ser considerados exatos. “Estes casos são os diagnosticados e não os obtidos na cidade onde foi feito o registro. Assim pode ser de pessoas que tiveram o contato com o agente infeccioso em outra cidade e depois de alguns ou de muitos anos foram diagnosticados em outra cidade.”
Foi o caso da advogada Denise Stadler, 36 anos, em 1996 ela contraiu hepatite A, na cidade de Francisco Beltrão (Sudoeste do Paraná). Porém, por morar em Curitiba, ela só percebeu os sintomas quando chegou na capital. “Senti muito enjoo, sono, cansaço e minha pele ficou amarelada. Lembrei que bebi água da torneira quando estive em Francisco Beltrão, por não reconhecer o que estava sentindo, procurei um médico”.
Ainda não existe uma cura imediata para a hepatite A, mas sim uma vacina que previne a doença e diminui as chances de contrair. É o que explica a médica Paulyne Venzon “A hepatite A ela não possui uma medicação específica pra cura, à medicação disponível são pra tratar os sintomas, então, se a pessoa apresentar febre do muscular, ela vai tomar uma medicação que seja analgésico e antitérmico, nos casos graves que, então, sempre os medicamentos vão ser para o sintoma da doença, normalmente, na maioria das vezes as doença é auto limitada, ela tem o início, a fase que os sintomas estão bem exacerbados e depois ela entra numa fase de cura espontânea”. Veja abaixo a áudio-entrevista na íntegra com a médica Paulyne Venzon.

Legislação brasileira
Mesmo com o grande número de pessoas que não possuem saneamento básico no Brasil, ele é um direito de todos os cidadãos. Apenas em 2010, 51,4% da média da população brasileira não possuía coleta de esgoto e 17,4% não eram atendidos com abastecimento de água tratada.

A lei n.º 11.445, da Constituição Brasileira, além de estabelecer as “diretrizes nacionais para o saneamento básico e para a política federal de saneamento básico”, indica todos os casos em que a disponibilidade deve ocorrer. Por exemplo, com o Plano Nacional de Saneamento Básico – PNSB, responsável por “universalização dos serviços de saneamento básico e o alcance de níveis crescentes de saneamento básico no território nacional”.

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