Banho impróprio, em fontes e chafarizes, tem altos índices de ocorrência, principalmente na regional matriz
Ocorrências diminuíram quase 50% desde o primeiro ano em que os dados
foram publicados
Por Bruna Slowik,
Manoela Tkatch e Raphaella Vieira
Quem pensa que o aviso de banho
impróprio é uma coisa que deve existir apenas no litoral, certamente não andou
pelo centro de Curitiba nos últimos tempos. Desde 2009, a Guarda Municipal de
Curitiba (GMC) somou 144 ocorrências de pessoas que estavam tomando banho em
locais públicos e impróprios na regional Mariz. Em toda a cidade, desde o
início da documentação desses dados pela GMC, o número de ocorrências deste
gênero chegou a 345.
Não há punição para quem usa as
fontes de água públicas para tomar banho, os Guardas Municipais apenas orientam
as pessoas para se retirar do local e, se consentirem, são encaminhadas
para projetos sociais destinado a pessoas que estão em situação de risco
nas ruas e que desenvolvem ações preventivas.
A Prefeitura de Curitiba criou o Centro
Pop, uma iniciativa para acolher moradores em situação de rua que se encaminham
voluntariamente ou por abordagem dos agentes da Fundação de Ação Social
(FAS). Localizado nas regionais Matriz, Boqueirão e Portão, o
Centro Pop oferece aos acolhidos uma estrutura para higiene básica,
alimentação e também conta com um núcleo de assistência social. Atualmente o
Centro localizado na Matriz atende 70 pessoas por dia, em média.
Mesmo realizando uma busca ativa entre
os moradores de rua, os agentes da FAS não podem levar ninguém à força para os
abrigos. Segundo a Prefeitura de Curitiba, nenhuma pessoa é obrigada a aceitar
o atendimento social. “As equipes trabalham justamente com a sensibilização das
pessoas em situação de rua para aceitarem o acolhimento em uma das nossas
unidades”, explicou. Quanto às pessoas que utilizam lugares impróprios para
fazer sua higiene, a Prefeitura informou que “todas as medidas estão sendo
tomadas para garantir que essa população tenha uma melhor condição de vida e
não tenha necessidade de recorrer a esse tipo de prática, que é imprópria e
vedada pela Prefeitura.”
Doenças
Apesar do esforço da prefeitura para
manter as fontes do centro de Curitiba limpas, a assiduidade da limpeza ainda
não é o suficiente para evitar a contaminação da água. Sendo assim, quem
resolve se refrescar ou tomar banho em um desses lugares, corre grande risco de
contrair doenças sérias como cólera, leptospirose, hepatite A, entre outras.
A falta de saneamento básico é parte do
processo de contaminação. Esse processo se estende para elementos externos como
a contaminação da água por parasitas ou mosquitos que se reproduzem na água
parada, como é o caso da dengue, do zika vírus e da febre amarela. Em
outros aspectos, há também a contaminação da água por produtos químicos como
chumbo e flúor, que se ingeridos ou em contato com a pele, podem provocar
diversos problemas a saúde.
Dados
totais sobre “ocorrências de pessoas tomando banho em local impróprio”
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