Então lembramos que amor é maior que tudo

Peça do grupo “Gota, pó e poeira” traz assuntos que ocorrem e ocorreram na sociedade de uma maneira descontraída e que prende a atenção do público. Esse é o 14° ano da companhia no Festival.


Por Manoela Tkatch

Amor proibido. Esse é o tema principal da peça “A estória do homem que vendeu sua alma ao diabo e quase perdeu seu amor”. Severo, negro e pobre, apaixonado pela donzela Felícia, não tem a aprovação de casamento do Coronel, pai da moça, por causa da sua condição social. Porém, o amor fala mais alto e Severo decide após rezar para todos os santos e não ter uma resposta mediata, fazer um acordo com o Diabo. Ele queria ser rico, para assim ter a permissão para casar com Felícia.
O acordo foi feito e o Diabo explicou sua condição: Severo teria mais dinheiro que o Coronel, mas em 24 horas a sua alma passaria a pertencer a ele. Agora rico Severo volta à casa da sua futura esposa e recebe a benção do pai da moça para o casamento. Porém, antes do casório ser realizado, o Diabo volta para buscar sua parte do acordo. Assim foi feito, Severo vira então secretário do Diabo. Felícia vendo seu futuro marido desse jeito decide acabar com o noivado. Após essa situação, Severo opta por morar no inferno.
É nessa hora que a peça interage com o público. Severo quebra a confiança do seu “chefe” e platéia deve escolher quem está certo, o Diabo ou ele. A escolha é feita a partir de duas cestas, uma do diabo e outra do Severo, em que as pessoas depositam dinheiro em uma delas, a que julgam estar com a razão. No dia em que a equipe do Capital da Cultura foi assistir ao espetáculo quem ganhou foi Severo, que assim, voltou a ser homem e casou com a amada Felícia.
O assunto que a peça retrata ainda é atual. A plateia trazia pessoas de diferentes idades, incluindo diversas crianças. A linguagem e o figurino foram pensados nessa plateia, textos que seguravam a atenção das pessoas e cenas que atraiam risos de todos. Um tema importante para a família inteira, narrado de uma maneira descontraída.
Robson Paduan, jornalista, comenta que essa é a primeira peça que ele foi do Festival deste ano, e conta que achou o tema ótimo. “É importante esse assunto, mostra que os pais se preocupam com as filhas, só que não se deve ter esse preconceito com o próximo”.

Responsáveis
O grupo responsável por essa peça é o “Gota, pó e poeira”, eles são do Espírito Santo e participam do Festival de Teatro há 14 anos. Toda vez em que voltam para Curitiba procuram trazer um espetáculo diferente. 
Aline Saraiva, é atriz da peça e contou que a atração está estreando no Festival. Para ela, é necessário discutir esse tema.  “Vivemos em um mundo muito preconceituoso, as pessoas julgam as outras pela cor e pelo dinheiro que tem, ainda é difícil entender que o que temos por dentro é mais importante que os bens materiais. É essencial trazer esse tema de uma maneira que as crianças consigam entende-lo desde cedo”.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Irregularidades na utilização do cartão transporte têm altos números na regional matriz

Misture a dor e a alegria

Mesmo sendo a melhor colocada em ranking, curitiba ainda apresenta doenças de saneamento básico